sábado, 20 de janeiro de 2018

Amar, lutar e outros devaneios de fim-de-semana

Estes dias estava no sofá e enquanto os meus olhos se distraiam com a televisão o meu pensamento divagava, completamente alheio ao que se passava no exterior e dei por mim a fazer uma comparação tonta entre o amor e a matemática. Passo a explicar: a primeira coisa que aprendemos na matemática é que 1+1=2. E a primeira coisa que nos ensinam sobre o amor? É que o amor acontece quando um rapaz e uma rapariga gostam um do outro e ficam juntos. Ok, parece simples. Depois a coisa começa a complicar, entram as multiplicações, as subtracções, as divisões - e entram os ciúmes, o "já não gosto de ti, gosto de outra pessoa" ou o pior e catastrófico "só gosto de ti como amigo" que é o equivalente matemático a "qualquer número multiplicado por zero, dá zero".
Parece estranha esta comparação mas na verdade não é de todo totalmente descabida. A matemática é complicada, o amor também. Há quem domine a matemática e quem encontre um amor para a vida toda ainda na primavera da vida. Há quem precise de explicações para passar e quem procure os conselhos dos amigos para o primeiro encontro. E quando achamos que já estamos a dominar a ciência da coisa, bam!, entram as equações de segundo grau ao barulho, com mais uma incógnita para descobrir: estava tudo tão bem, ficavam tão bem juntos, porquê que acabaram?
Tal como na matemática, com os seus problemas sem solução, o amor tem razões que ninguém entende. Faz sentido?

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

#projectomeianoite - conto 3

Meia-noite em ponto. 
Abriu os olhos, assustada. Estava tudo escuro. Inclusive o DVD estava desligado. «Não devia ter bebido o segundo copo de vinho’» pensou. Chamou por alguém. Mas que se passava com a sua voz? Não a ouvia!
Levantou-se do sofá, a medo. Tornou a chamar, em mais uma tentativa falhada. Percorreu os longos corredores da casa a procura de alguém. Mas que corredores, se a casa não os tem?
«Onde estou?» Dirigiu-se instintivamente ao WC. Despiu a roupa e preparou-se para um duche antes de se deitar. Finalmente ouve-se um grito naquele silêncio mortífero. Era dela. Corria sangue das torneiras. Fugiu envolta na toalha à procura de alguém. Encontrou um mordomo e tocou-lhe. Ou não. Não tinha a certeza, pois a sua mão atravessou-o, como se de um fantasma se tratasse. As relações com o mundo que a rodeava tinham diminuído drasticamente, ao mesmo tempo que tinham aumentado as conversas consigo própria. A loucura tinha-lhe tomado o cérebro de tal forma que quando o viu achou ser fruto dos seus delírios quase diários. Volta-se em busca de um pingo de realidade naquela alucinação. Perde os sentidos. Vê caras sem rostos a agarrarem-na e a prenderem-na. Mais uma vez tenta pronunciar qualquer palavra. 
Nada sai da sua boca.