sábado, 27 de abril de 2013

Desabafos

Entristece-me que exista este abismo entre nós. Entristece-me que quatro anos de aventuras, viagens, lágrimas e risos simplesmente se dissolvam assim no tempo. Não sei de quem foi a maior culpa. Talvez esta balança não incline mais para um lado, mas ambas temos que admitir que foi de facto das duas (pelo menos das duas).
És finalista, tal como eu fui no ano passado, mas as coisas não se desenrolaram da mesma forma. Há um ano atrás eras uma das pessoas que eu de facto queria que estivesse lá, do meu lado, a partilhar comigo aquele momento que se iria tornar uma das melhores, mais ternurentas e, agora, mais amargas que sonharia ter. Foste uma das primeiras a assinar o meu lençol, a única que ocupou duas velas completas, de uma ponta à outra, cada milímetro ocupado por palavras que, relendo agora, me apertam o coração.
Tenho mesmo saudades tuas, nossas. Sei que já o disse antes, e odeio-me por não conseguir não me importar contigo, da mesma forma que eu sinto que o fazes comigo. Parecemos estranhas, e isso dói mais do que possas imaginar. Mas neste dia, ou melhor no teu dia de finalista, gostava de te dar um enorme abraço, dar-te os parabéns, e dizer-te que eu tinha razão, que tu ias conseguir, como nunca acreditaste. Queria poder chorar de alegria contigo, e voltar a fazer planos do nosso futuro, juntas, inseparáveis. Unha e carne. Tico e teco. Gostava de ter ido fazer um rally barracas contigo, apanharmos uma bebedeira enorme, e acabarmos a noite com um sorriso brilhante, feliz, inebriado  a dizer que te adoro, e que nada nem ninguém nos irá separar nunca mais.
Mas palavras leva-as o vento, e de facto cada vez que fizemos essas promessas, elas foram sempre levadas.
Se calhar não estava destinado a ficarmos amigas para sempre. Se calhar estávamos destinadas a passar pela vida uma da outra, para nos ensinarmos, sem o saber, lições que com certeza virão a ser valiosas no futuro que se avizinha.
Mas pronto, lamúrias à parte, deixo-te na mesma os parabéns, e as maiores felicidades. Sempre acreditei em ti, e sei que vais sempre vencer. No matter what.
Força finalista, um óptimo futuro te aguarda.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Para ela.

Esta noite sonhei contigo. Que nos cruzamos, num caminho qualquer, e nos cumprimentamos, com um "Olá" qualquer. E no meu sonho a minha garganta deu um nó. Porque quis dizer que tinha saudades tuas. Mil saudades tuas. Mil saudades nossas. Mas no meu sonho eu calei, e engoli as saudades que se prenderam no nó. E depois de sorrirmos, seguimos novamente os nossos caminhos, como se nada tivesse acontecido, como se nunca nos tivessemos cruzado. 
Depois de acordar, lembrei-te, como todos os dias te lembro, mas nunca o admito. Afinal de contas, fazes-me falta, afinal de contas não se deitam 4 anos de amizade para trás das costas como se de um contratempo se passasse. Tenho saudades tuas, verdadeiras saudades tuas. Mas mudaste tanto, magoaste-me tanto.  E eu mudei tanto, magoei-te tanto. Talvez o nosso orgulho (ferido) vá impedir sempre que possamos voltar. Ou até esquecer tudo o que nunca devia ter sido dito sem pensar. Mas a verdade é que as palavras são como as setas, uma vez atiradas não podem ser impedidas de parar. 
Mas as saudades mantêm-se, e vão manter. Até um dia sermos velhas, e a nossa amizade não passar de uma longínqua memória, esquecida num canto qualquer do cérebro. Talvez um dia se torne uma história a ser contada aos netos. Ou talvez não.
Até lá fica a saudade, e a falta que me fazes.